sexta-feira, 2 de outubro de 2009

CONFIANÇA

Bom, somente para entender o post, a minha avó tem uma cachorrinha, uma poodle de 8 anos de idade (56 anos, comparando a nós, seres humanos). Eu, particularmente, sempre achei a cachorra chata, mimada e mal acostumada. Nossa, cansei de brigar com ela e a 'tranqueirinha' sempre abanando o rabinho pra mim. Independente da 'chatisse canina', sempre brinquei de bola com ela e cocei sua barriga, acabava me divertindo também (...)
A questão é que de uma semana pra cá, descobrimos que a cachorra está com diabete e problema no fígado. Aí lá se vão muitos reais em medicamentos e ração para cães obesos! ahaha Chega a ser engraçado dizer que ela come ração para 'gordinhos'. Enfim, além disso fiquei 'incumbida' de aplicar insulina na 'tranqueirinha', porque aqui em casa ninguém tem coragem. Pois bem, uma injeção pela manhã e outra a noite. Nos primeiros dias era preciso que alguém a segurasse, para que eu pudesse aplicar a injeção, mas de Terça-feira pra cá, eu saio com a seringa na mão e a 'danada' já está sentada na porta esperando.

Ontem pela manhã, fui aplicar insulina na 'tranqueirinha', ela deitou na minha frente e ficou esperando. Enquanto eu fazia a aplicação, em um reflexo, ela virou a boca no meu braço como se fosse me morder, olhei pra ela e ela me olhava com os olhos arregalados e começou a me lamber como quem diz "desculpe, foi sem querer".
Óbviamente eu percebi que ela não queria me morder, foi mesmo um reflexo em função da dor, eu acho.
Então percebi a relação de confiança dela pra mim e de mim pra ela.

Penso em como seria o mundo, a vida da gente, se o ser humano tivesse essa capacidade de confiar sem medo, mesmo que houvesse dor.

Descobri que eu amo essa tranqueirinha!!!

* K.S.

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