domingo, 10 de maio de 2009

Dia das Mães

Coração de Mãe

Dizem que quando a Terra foi criada,
fazendo-se possuida pelos filhos da vida que vinham de outros mundos.
Tudo na estrada humana, cortando a imensidão dos campos infecundos,
era a dominação do ódio que se aferra à discenção, à morte, ao desespero e à guerra ...

Foi quando um mensageiros do Céu às criaturas, regressou as alturas,
e disse humildemente ao grande Deus:
- Senhor! O que posso fazer dos homens sem amor?
Do cérebro mais precoce, tudo na Terra é luta em busca de posse.
Compadece-te oh, Pai! ...
Veneno, flecha e clava, formam um mundo inteiro a humanidade escrava
da descrença, do mal, da impiedade e do crime,
sem qualquer esperança a que se arrime.
Já não se aguenta ouvir os urros do mais forte
e o choro dos vencidos, pisados, massacrados e caídos nos sarcasmos da morte.
Que fazer grande Deus, nas trevas dessa luta,
em que a luz se nos nega e ninguém nos escuta?

Revelou-se que o Pai de infinita bondade, pensou por muito tempo e disse, comovido:
- Aceito, filho meu, quando me falas entendo-te o pedido!
Volta ao mundo a servir na tarefa em que avanças.
Os que morrem no mal renascerão crianças, a Terra evoluirá,
- ponderou o Senhor - ninguém alterará minha obra de amor.
A fim de desarmar a violência e a cobiça, instalarei no mundo a força da Justiça
e para que haja amor exterminando o orgulho,
sem pancada, sem grito, sem barulho, enviarei alguém que ame os filhos meus,
como o meu amor ao bem, na exaltação da paz, sem desprezo a ninguém.
Alguém que saiba amar, a servir e a sofrer, cultivando o perdão como simples dever.

Dizem que foi assim que a Terra começou a fazer-se jardim.
Ouviu-se verbo novo, alteraram-se imagens, e conforme o Senhor mandou e prometeu,
entre as rudes mulheres selvagens, o coração de mãe apareceu.



* Maria Dolores



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